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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Entrevista| Interview: Karen Pokras Toz


Depois de ter passado os últimos anos a trabalhar como contabilista, Karen Pokras Toz descobriu a sua paixão pela escrita. Em Junho de 2011 publicou a sua primeira história para crianças, intitulada “Nate Rocks the World”, e encontra-se agora a trabalhar no segundo volume da série. Conheça um pouco melhor esta autora que cresceu em Orange (Connecticut, EUA) e gosta de jardinar, cozinhar e passar algum tempo de qualidade com o seu marido e três filhos.

Como nasceu "Nate Rocks the World" (“Nate Rocks Agita o Mundo”, em Português)?
Criei Nate Rocks quando notei que os meus dois filhos (com 12 e 9 anos na época) estavam a perder o interesse pela leitura. Pensei então "como é isto possível"? Eu gostava de ler quando era criança, mas no mundo de hoje há várias distracções: jogos de vídeo, computadores, televisão e por aí fora. Decidi escrever um livro que as crianças gostariam de ler, engraçado e cheio de acção, sobre um miúdo comum que faz coisas extraordinárias. Através de Nate Rocks ensino às crianças que não têm que ser um super-herói para realizar grandes feitos.

O seu livro está escrito do ponto de vista de uma criança. Como foi colocar-se na pele de “Nate”?
Estar na pele do Nate era (e continua a ser) muito divertido! Quando comecei a escrever, contratei um treinador de escrita para me guiar mais ou menos ao longo da concepção da história, dado que este foi meu primeiro projecto. O livro era um romance de ficção adulta (que ainda tenho que publicar). Esforcei-me bastante, mas o treinador dizia-me que tinha a voz de uma criança e não a de um adulto. Finalmente, pensei para comigo: porque não escrevo um livro infantil então? Sentei-me para escrever “Nate Rocks the World” e o diálogo e as aventuras saíram-me naturalmente; senti-me como se estivesse a viver tudo o que estava a escrever. Acho que penso como uma criança de dez anos!

Disse que foi fácil para si escrever este livro, dado que consegue pensar como uma criança de dez anos. Qual foi a parte mais difícil então?
Ter tempo para escrever foi e continua a ser a parte mais difícil para mim. Entre filhos, marido, casa, trabalho e marketing, às vezes não tenho tempo para escrever. Quem me dera ter tempo todos os dias, mas nem sempre as coisas funcionam assim. Tento arranjar algumas horas durante a semana. Se não escrevo, fico um pouco aborrecida… e ninguém quer uma Karen aborrecida (principalmente os meus filhos!).

Que feedback recebeu de quem leu o seu livro até agora? E os seus filhos, atingiu o seu objectivo e eles lêem mais?
Tenho recebido imenso feedback tanto de adultos como de crianças, embora o último seja o meu preferido. Algumas crianças até me enviaram fotos deles com o livro, pelo que comecei a colocá-las online no meu site; assim, podem ver as suas caras sorridentes aqui: http://www.karentoz.com/meet-the-kids.html. Quanto aos meus filhos, continuam a preferir jogos de vídeo em vez de ler, embora estejam a ler mais fora do designado trabalho escolar; em geral, parecem mais entusiasmados quanto à leitura.

Tem mais aventuras planeadas para o Nate?
Sim! Estou a terminar o segundo volume da série “Nate Rocks”, com novas e excitantes aventuras! O livro chama-se “Nate Rocks the Boat” (“Nate Rocks Agita o Barco” em Português) e espero fazê-lo chegar ao público na Primavera.

Tem editora ou publica por si mesma?
Publico por mim mesma, sob a chancela da Grand Daisy Press,que é a minha própria marca de editora. Quem sabe, talvez um dia aceite outros escritores, mas por agora sou só eu.

E quais são os seus planos para o futuro?
Espero escrever pelo menos mais um livro da série do Nate Rocks. Tenho algumas ideias para outra saga que estou a desenvolver e, claro, ainda tenho aquele meu primeiro livro no meu computador à espera de alguma atenção.


Não se esqueça: “Nate Rocks the Boat” deve sair já na Primavera. Continue a seguir o trabalho da Karen através dos seguintes links:

Barnes & Noble: http://bit.ly/uviYpn

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Opinião| Review: "Nate Rocks the World"

Acabei de ler “Nate Rocks the World” dia 15 de Dezembro de 2011 e dou-lhe 4 estrelas.
Esta é a história de Nathan Rockledge, um rapazinho de 10 anos que tem uma imaginação muito fértil. Para ele, tudo é pretexto para a criação de uma elaborada aventura mental, acompanhada de muitos rabiscos à mistura.
É uma narrativa um pouco diferente, na medida em que parece que não existe uma história específica, mas sim várias que irão culminar num ponto-chave. É-nos contada a vida de Nathan, não dia-a-dia, mas seguindo os episódios mais importantes que se sucedem no calendário até se chegar à desejada viagem de férias à Florida.
Não é um género literário que costumo ler com frequência, mas gostei. Agradaram-me particularmente as reflexões que o Nate faz acerca de certos episódios e que retratam a inocência infantil. A título de exemplo (e sendo um pouco spoiler), o Nathan diz que ainda não percebeu porque é que o pai continua a dar jóias à mãe no Natal, se ela chora sempre; já devia ter percebido que isso a deixa triste. Lol! Este género de piadas remete-me para “As Aventuras do Menino Nicolau” (“Le Petit Nicolas”), de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. Para quem não conhece, a personagem do Menino Nicolau nasceu nos anos 50, primeiro em jornal e só depois passou para livro. Esta é uma criança que nos conta a sua vida (disputas, conversas com os amigos, relação com o professor, etc) de acordo com o seu ponto de vista e numa linguagem muito própria. Neste aspecto, achei ambas as histórias se aproximavam, por isso quem gosta de uma, deve gostar da outra =)
Também me agradou o que aconteceu no fim: o Nate tornou-se no herói que sempre imaginou ser – foi como um sonho tornado realidade. Tenho apenas a apontar que acho que o final podia ter sido um pouco mais desenvolvido indo, por exemplo, até ao final das férias, só para completar o ciclo.



I finished reading "Nate Rocks the World" on 15th December 2011, and I give it a four-star rating.
This is the story of Nathan Rockledge, a ten-year-old boy, who has a very fertile imagination. For him, everything is a pretext for an elaborate mental adventure, accompanied by many written doodles and scribbles.
This is a narrative a little different since it seems that there isn’t about a specific story, but there are several run parallel to each other and merge together at one key point. We chronologically follow Nathan's important milestones in his life up until he goes on a much-desired vacation to Florida.
This book is a genre I seldom read, but I liked it. I particularly liked Nate’s reflections about certain episodes, which illustrated the childhood innocence. For example (this is a little spoiler), Nathan says he doesn’t understand why his father keeps on giving jewelry to his mother at Christmas if she cries every time and that he should have realized by now that it makes her sad. Lol! This reminded me of "Le Petit Nicolas", by René Goscinny and Jean-Jacques Sempé. For those not familiar with it, Nicolas is character created in the 50s, appearing first in newspapers and then as a book. Nicolas is a child who tells his life story (discussions, conversations with friends, the relationship with his teacher, etc) according to his point of view and in a language of its own. I thought that both Nate’s and Nicolas’s stories were similar. So if you read and enjoyed “Le Petit Nicolas”, you’ll enjoy this book and vice versa.
What happened at the end pleased me as well: Nate became the hero he always wanted to be - it was like a dream come true for him. I just think that the end could have been a little more developed; for example, it could have been extended till the end of the holidays, just to complete the cycle.

Link: http://www.goodreads.com/review/show/241035976