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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 351

O que tinham feito jamais seria esquecido ou passaria em claro. As consequências viriam ao seu encontro um dia e seriam um desafio quase impossível de ultrapassar.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Página 338
Marina virou a cara para o lado e cerrou os olhos com força: era agora, tinha chegado a sua hora. Sentiu o poste vibrar e o seu corpo acompanhou a reverberação. Ao contrário do que esperava, não sentiu qualquer dor. Afinal morrer, mesmo que de uma morte violenta, não doía?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Citação| Excertos "Perdidos"



Página 324
A sombra virou-se de repente, com uma postura que indicava surpresa. Endireitou-se paulatinamente, revelando um porte altivo, e aproximou-se. À medida que o vulto se acercava dela, os traços tornaram-se mais distintos, até que nada ficou por revelar. Magoada pela descoberta da identidade da figura, Marina recuou num salto. Tapou a boca para não gritar. Era como se o seu mundo fosse uma gigante bola de cristal que tinha acabado de se estilhaçar num monte de cacos infinito. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 301
- Certa vez acreditei ter encontrado a minha luz no meio das trevas, mas ela renegou-me e voltei a perder-me.

Página 302
O que fizera? Prometera-lhe amor, luz e salvação, para depois lhe tirar tudo de uma assentada. E o que fazia agora ali? Preparava-se para lhe tirar tudo o resto. Não podia fazer isso.

Página 305
Marina queria mover-se, mas não conseguia. Tinha acabado de recuperar uma parte importante da sua vida, para tornar a ficar sem ela, e para sempre. Apesar de tudo o que lhe fizera e dissera, ele estava disposto a sofrer a tormenta das tormentas por si. (…)  Começou por caminhar com passos indecisos, que depressa se converteram na corrida da sua vida. (…) Tinha-o perdido… tinha-o perdido!

domingo, 20 de outubro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 294
A mão aterrou-lhe em cheio no pescoço e elevou-a no ar, sem esforço. Marina sentia a traqueia a ser-lhe esmagada. Além da dor torturante, o ar não conseguia passar, levando os seus pulmões a reclamarem veementemente para que o bloqueio aflitivo fosse ultrapassado. Levou as mãos ao pescoço, para tentar livrar-se das garras de Barbatos, e agitou-se o mais possível, para que se tornasse difícil segurá-la e acabasse por largá-la. Barbatos, porém, estava decidido a terminar tudo ali mesmo e Marina estava a perder as forças. Dos seus olhos caíram duas lágrimas. Tentou falar, chamar pelo amigo, mas não conseguiu – as sílabas morreram-lhe antes de conseguir articulá-las sequer. Num último ato de desespero, começou a pontapear o demónio. Se ia morrer, então morria a lutar - não se rendia. Estava prestes a desfalecer, mas, mesmo assim, contorcia-se como um peixe fora de água. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 269
Marina acenou-lhe um tímido adeus. Permitiu-se a libertar um curto e doloroso queixume e retomou o percurso para casa. Quando tornou a olhar para a outra margem, ele tinha desaparecido. Era assim que as coisas terminavam entre eles: sem gritos ou promessas de vingança, apenas resignação e um adeus.

Página 293
Se era medo que ele procurava espelhado nas suas íris, encontrá-lo-ia, assim como réstias de acesa esperança.

domingo, 13 de outubro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 251
Burra, parva, imbecil, idiota… ESTÚPIDA, ESTÚPIDA, ESTÚPIDA”. A reprimenda ecoou no cérebro de Marina com tanta intensidade que teve de levar as mãos às têmporas e efetuar pequenos movimentos circulares para acalmar a dor que a atingiu. Sentia-se destroçada e, acima de tudo, enganada. Tinha sido tão ingénua que, nem depois de ouvir a verdade de duas bocas distintas, a tinha decifrado.

Página 259
- Barbatos? Que venha ele e as suas legiões! Não importa. Se o que quer é matar-me, não precisa de se dar ao trabalho de o fazer, porque tu já o fizeste. Arrancaste-me o coração do peito sem sequer esperares que parasse de bater. Tu…? Mataste-me.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 244
Ao alcançar o portão, foi surpreendida pelo frio. As ruas estavam anormalmente mudas e as fracas luzes provenientes dos candeeiros públicos projetavam sombras medonhas. Algo se mexia, oculto na penumbra. Um animal vadio talvez? Marina tinha a sensação de que estava numa cidade fantasma, como as das histórias das almas penadas, e sentiu um calafrio. Um pressentimento nebuloso apoderou-se dela; sacudiu o corpo para repeli-lo. Fechou o casaco até cima para se proteger do frio e pôs as mãos nos bolsos para mantê-las quentes. Iniciou a marcha.

Página 244
Perto de casa, o nevoeiro estreitou-se e transformou-se numa fresca bruma condensada, que quase lhe gelava os ossos. O ar estava demasiado pesado e, esporadicamente, ouvia ruídos que faziam lembrar galhos a partirem-se. Estacou de súbito e pôs-se à escuta, como se estivesse em alerta vermelho, o máximo da escala de perigo. Susteve a respiração e fechou os olhos para se concentrar. O som que distinguiu assemelhava-se ao crepitar de fogo e podia jurar que, por detrás, escutava algo semelhante a gemidos. Descerrou as pálpebras e ordenou ao seu coração palpitante que abrandasse; sentia-o a latejar-lhe nos ouvidos com pequenos estalidos. Deu uma volta sobre si mesma e perscrutou as mechas de nevoeiro em busca da razão para aquele estado de sítio interior.

Página 244
As luzes dos candeeiros mais próximos piscaram, como que em resultado de uma falha de corrente, e apagaram-se. Uma gargalhada sinistra ecoou pela noite, fazendo-a recuar com pequenos passos hesitantes, enquanto retirava a bracelete do pulso e a segurava com firmeza na mão. De repente, embateu em qualquer coisa com as costas. Sobressaltada, virou-se rapidamente. De casaco preto a ondular ao sabor do vento, a figura funesta erguia-se de novo diante dela.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 233
- Então imagina que sou tão cruel quanto um demónio malévolo. Mesmo sabendo isso, estavas disposta a continuar comigo?

Página 237
Puxou-a com urgência e, inesperadamente, deu-lhe um beijo tão sôfrego e impaciente, que parecia querer fundir-se com ela. Marina ficou arrebatada. O corpo pulsava-lhe ao ritmo da sua respiração acelerada e o seu peito parecia querer explodir de tanto desejo - adorava os beijos dele e ansiava por eles. Quando as suas bocas se separaram, o rapaz não a deixou afastar-se. Marina correspondeu ao enlace apertado e deixou que as suas formas se moldassem às dele, até não se saber onde terminava um e começava o outro. Num gemido, ele segredou:
- Se soubesses o quanto receei que chegasse este momento… 

domingo, 29 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 223
Nesse gesto, traiu-se: já não era a tempestade lá fora que rugia, mas a que se agigantava dentro de si. Conseguia ouvir as gotas de água a caírem na pele de Marina com tanta intensidade, que quase as sentia como se caíssem sobre si. Seguiu com atenção o percurso de um pingo, descendo o corpo dela, numa carícia molhada. O vento era como um beijo frio na epiderme da rapariga, fazendo-a arrepiar-se, ao mesmo tempo que brincava com os seus cabelos. O pijama branco que ela vestia, de tão molhado que estava, quase se tornava transparente e ele conseguia vislumbrar a roupa interior. O desejo que o invadia crescia mais depressa do que a própria intempérie e fazia-o perder o fôlego. 

Página 224
Era como se o seu corpo fosse uma folha de papel e o dele, uma chama fulgurante; sentia-se a arder num incêndio irrefreável. Como um ferro em brasa na sua alma, soube que não iria abdicar dele: tinha acabado de entregar-lhe o seu coração e a sua alma de livre vontade.

Página 224
O mundo podia desabar lá fora, que era uma ninharia comparada com aquele instante fantástico. Estavam envoltos por uma redoma mágica impenetrável, que os isolava de todas as coisas.

Página 227
Não importava o que lhe acontecesse a ele, tinha de garantir que Marina ficaria bem – ela estava acima de tudo, inclusive dele mesmo. Estava tão bem com ela! Suspirou e sentiu o desassossego multiplicar-se dentro de si. O que faria quando soubesse a verdade sobre si e os motivos que o tinham levado ali? Como explicar que tudo tinha mudado quando a conhecera? Mais importante, como fazê-la acreditar nele e na veracidade dos seus sentimentos? Aproximava-se o dia em que todas as revelações seriam feitas e tinha de preparar-se. Ao menos naquele momento ela era sua e tinha-a nos seus braços. Não pedia mais nada.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 214
Foi como se ele tivesse sido atingido por uma bala imaginária, que o dilacerou. A tensão aumentou exponencialmente dentro de si e a reserva de fúria que guardava no seu âmago ameaçou fervilhar até à explosão final.

Página 214
- Sabes que o cerco está a apertar-se e em breve terás de contar-me tudo sobre ti, certo?
Ele gemeu na sequência de um suspiro doloroso.
- Eu sei. Quem me dera não ter de o fazer. Dava tudo ser apenas eu, sem mais nada envolvido, e poder estar simplesmente contigo sem que o Céu ameaçasse cair na Terra…

Página 219
- Vês como é fácil? Só tens de deixar fluir o romance entre o pincel e a tela.
Marina escutou-o com atenção. Não conseguiu deixar de pensar que a metáfora se podia aplicar a eles: ele era o pincel, e ela, a tela - bastava deixar que as coisas fluíssem entre eles. 

domingo, 22 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 202
Um som similar a um galho a partir-se chamou-lhe a atenção. Voltou-se para trás, mas não viu ninguém; estava sozinha. Provavelmente ter-se-ia partido algum raminho numa das árvores junto às escadas – nada do outro mundo. Estava a ter um dia tenso, era natural que imaginasse coisas ou estivesse nervosa. Decidiu prosseguir, ignorando o arrepio glacial que sentiu na parte de trás do pescoço. Instantes depois, o ar agitou-se de um modo estranho. Marina pressentiu que algo estava errado. Não conseguiu, todavia, determinar o que estaria a deixá-la tão agitada e inquieta. Foi então que ouviu distintamente passos pesados atrás de si. Olhou de forma dissimulada por cima do ombro e vislumbrou um homem vestido de negro. Apesar de lhe parecer familiar, achou que era um tipo esquisito... e suspeito. Não queria ficar ali para travar conhecimento. E de onde teria aparecido? Só podia ter vindo da escadaria, mas quando se virara não tinha visto vivalma. Um formigueiro frenético alarmante invadiu-a.

Página 204
Tinha anoitecido. As ruas eram alumiadas pela escassa luminosidade dos candeeiros públicos, que faziam certas zonas parecerem roxas e outras cor-de-laranja. Os carros ainda passavam com frequência pela estrada, embora não se avistasse quase ninguém na rua. Estudou a muralha e, para sua desilusão e desassossego, lá estava ele, exatamente no mesmo ponto. Sentiu um aperto no peito quando viu que ele continuava a fitar especificamente a sua janela. Podia jurar que sentia pender sobre si o seu olhar penetrante e tenebroso, o que a fez tremer de pavor.

Página 208
Uma aragem gelada acariciou-lhe as costas e fê-la arrepiar-se. Parecia que lhe tinham deitado cubos de gelo para dentro da camisola. Ajeitou o casaco e ergueu-se: estava na hora de procurar abrigo na escola antes que começasse a pingar.

Página 208
De repente, uma figura negra surgiu por entre uma névoa misteriosa, por detrás da antiga torre de vigia, até se corporalizar em pleno. O ar tornou-se mais pesado, roçando o incomportável, chamando a atenção de Marina. O seu estômago contorceu-se como que invadido por um milhão de mariposas, e o seu sexto sentido exigiu a todos os outros que ficassem em alerta máximo. Sabia que, se se voltasse, divisaria algo que não queria, por isso tentou resistir ao impulso de o fazer e esforçou-se por continuar a andar. Se o ignorasse, podia ser que “aquilo” se fosse embora e ela ficaria segura.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Página 195
Ele, que era um baú fechado para o mundo, um tesouro de uma riqueza inimaginável, tinha-se aberto só para ela. E como lhe retribuía? Com dúvidas. Quis responder-lhe, mas não sabia o que escrever, por isso optou por desligar o telemóvel – não estava para mais ninguém. Desligou a TV e choramingou na escuridão até adormecer.

Página 197
(…) transformou-se num cubo de gelo, inerte das raízes dos cabelos aos bicos dos pés. Estava a ser parva e a afastar-se, o que era o contrário do que pedira ao rapaz para fazer, mas não tinha coragem de encará-lo. Sentia-se mais perversa do que a Bruxa Malvada dos contos de fadas, prestes a rebentar-lhe a bolha de fantasia.

Página 198
Quando chegou ao seu destino, afundou-se contra a parede e deixou-se escorregar até ao chão. Puxou os joelhos para si, deitou a cabeça e ficou quieta. As lágrimas surgiram involuntariamente e rolaram-lhe pela face. O que era aquilo? Autocomiseração? Não devia ter pena de si. Se tanto um como outro se fartassem dela e a mandassem embora, teriam plena razão. Pressentindo as suas lágrimas, o tempo juntou-se-lhe no baile de tristeza e a chuva começou a cair.

domingo, 15 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 192
A rádio começou então a passar uma música romântica. Levado pelo ritmo lento, levantou-se e puxou-a para si. Num gesto automático, Marina ergueu-se e começaram a dançar. Envolvidos pela harmonia, era como se não estivessem no quarto e se elevassem bem acima das nuvens. A letra romântica parecia adaptar-se a eles na perfeição, o que reforçou o encanto. Marina sentia-se enfeitiçada. Para o rapaz, era como se uma porta se entreabrisse, dando-lhe a possibilidade de se aproximar dela e provar-lhe que, embora o negasse, ele fazia parte do seu coração. Talvez este estivesse dividido, mas lutaria pelo seu lugar nele.

Página 192
Céus! Como podia ouvi-lo dizer aquilo e continuar impávida e serena? Queria ficá-lo, instantes antes teria ficado… Caramba, como se tinha deixado envolver àquele ponto?

Página 194

Ali estava uma autêntica armadilha do cruel destino, que teimava em brincar com ela. Maldito fado...

sábado, 14 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Pp. 182/ 183
- Podes ter-te perdido, mas, se quiseres, não me importo de ser o farol que te guia na noite escura.
Ouvir aquilo aprouve - e muito – ao rapaz. Tê-la ali, a murmurar aquelas frases sinceras sem saber que riscos teria de enfrentar, fugia a toda a lógica. Era como pedir a um cordeiro que fosse de livre vontade para o matadouro. No entanto, não podia deixar de rejubilar com isso. Era egoísta...

Página 186
Os seus rostos assumiram expressões mais carregadas devido ao peso que a emoção do adeus acarretava. Marina aproximou-se dele, mas para quê? Não era nenhuma oferecida. Era uma pessoa racional e não iria fazer nada de que se arrependesse, certo? Mesmo assim, o coração tentava sobrepor-se com urgência à razão. Queria que ele fosse arrojado e a beijasse; quase sentia o corpo implorar-lhe que o fizesse. Queria dominar-se, mas não conseguia. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"


Página 177
- Achei a rosa adequada - afirmou. - Mostra que, apesar de uma coisa ser vistosa, esconde sempre os seus espinhos.

Página 178
Por ser aquilo que era, não tinha telemóvel, não tinha casa, não tinha vida… não tinha nada. Era só isso que podia dar-lhe: uma mão cheia de nada.


Página 180
Lançou-lhe um curto aceno com a cabeça e sorriu-lhe com a sua expressão típica de malfazejo. A sensação deliciosa de perigo sedutor percorreu-a como se ele tivesse acabado de prometer-lhe algo escaldante… e quanto gostaria que o cumprisse!

domingo, 8 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Página 175

Quando se preparava para inseri-la na fechadura, os pelos dos seus braços eriçaram-se. Não era uma mera vaga de frio que a fazia reagir daquele modo; tinha um mau pressentimento. Uma sensação familiar atravessou-a e soube no seu íntimo que estava a ser vigiada. Receou que olhos se encarregariam de tal vigília. Com a prática adquirida nos últimos dias, aprendera a não desvalorizar as impressões que a acossavam, pelo que resolveu despachar-se. Fez a chave penetrar na ranhura o quanto antes. Foi, porém, surpreendida pelo som de alguém a descer as escadas da arcada num ritmo apressado. Deu um pulo com o susto. Ao aperceber-se de que os passos se afastavam, sentiu-se grata, pois pressupunha que tinha sido poupada ao que lhe estivesse reservado. Mas estaria mesmo a salvo?

sábado, 7 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Página 169
Mais sete minutos e o rapaz encantado com o ecrã do televisor. Que fascínio teria aquele jogo de futebol? Seriam as equipas constituídas por mulheres nuas? Porque, se não fosse isso, não estava a ver que apelo teria... Irritada, tirou-lhe a garrafa das mãos e bebeu o resto de um trago, sem parar para respirar. Ele olhou-a tanto perplexo, como intrigado.
- O que foi? – retrucou ela de forma seca. - Estás a torrar-me a paciência, precisava de algo mais forte para aguentar. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Página 157
Marina ficou petrificada. Eram marcas recentes, que tinham sido gravadas de forma cruel no seu coração. Inexplicavelmente, uma centelha de amotinação começou a apoderar-se de si. Pensaria por ventura que ela era um penso rápido que o curaria? Não iria juntar os pedacinhos do coração dele, tinha o seu próprio coração para cuidar.

Página 158
Pegou-lhe na mão e conduziu-a até ao seu peito, num gesto íntimo. Marina sentiu o bater desconcertado do seu coração que parecia ter desaprendido o ritmo correto. Espantada, estudou-o. Encontrou uns olhos meigos, ansiosos, e uma boca carnuda entreaberta, escondendo uma respiração ofegante. Ter aquele pedaço de Céu quase a rogar-lhe que o beijasse era o sonho de qualquer rapariga. Sentia-se tentada, mas por ter cedido, Eva tinha conseguido um passe para fora do Éden. Inspirou morosamente, tentando controlar-se.

sábado, 31 de agosto de 2013

Citação| Excerto "Perdidos"



Página 152
Outro sentido? Que proposta mítica se seguiria? Duendes, fadas, lobisomens, fantasmas, extraterrestres? Ou projetos secretos governamentais, bem ao estilo de uma conspiração americana? Ana era deveras criativa, pelo que Marina achou melhor preparar-se. Ajeitou-se no banco e pôs uma máscara de seriedade.

Página 153
A voz de Joshua pareceu-lhes muito longe quando lhes chegou aos ouvidos sob a forma de uma harmoniosa melodia. Abriram os olhos com preguiça, rendendo-se aos seus encantos. Avistar um Joshua resplandecente com o sol a incidir nele, criando uma aura mágica em torno da sua silhueta, era uma visão de cortar a respiração. A sua pele cintilava, o cabelo parecia fundir-se com os raios de luz e todo ele transparecia perfeição, como se fosse a obra-prima esculpida pelo melhor artista de todos os tempos. Ana agarrou-se àquela imagem maravilhosa e sussurrou, entaramelada:
- Uau! Pareces um deus grego. Morri, fui para o Céu dos tipos jeitosos e conheci o melhor de todos…